Problema da Semana – 91

A máquina não dá nenhum valor a padrões ou centenas de anos de teoria estabelecida. Ela apenas conta os valores das peças de xadrez, analisa uns poucos bilhões de movimentos e conta as peças outra vez.” – Garry Kasparov

Toda segunda feira publicamos uma composição para ser comentada e resolvida pelos leitores. Na segunda feira seguinte publicamos a sua solução e uma nova composição.

As composições são selecionadas entre os formatos usados nos campeonatos mundiais de solução: mates em 2, mates em 3, mates em mais de 3 movimentos, inversos, ajudados e estudos. Em boa parte dos casos selecionamos composições utilizadas em competições oficiais.

A seguir temos um ajudado em dois lances do genial Felix A. Sonnenfeld, que tirou o primeiro prêmio da seção de ajudados da revista holandesa Probleemblad em 1972.

Ajudado em 4
Felix A. Sonnenfeld
Probleemblad, 1972
1° Prêmio

Problema da Semana 91 - Ajudado em 4 a) diagrama b) Pc7->h2 c) Ca6->b2 d) Pc5->h2

Nos campeonatos mundiais a seção de ajudados é composta por 3 problemas que devem ser resolvidos em 50 minutos. Para receber os 5 pontos correspondentes a cada problema é necessário indicar todas as soluções dos problemas até o mate branco, no caso de soluções múltiplas em ajudados é possível marcar uma fração dos pontos caso não sejam resolvidas todas as soluções.

Cada movimento deve ser indicado de forma única e inequívoca (por exemplo, quando dois cavalos ou duas torres podem ir à mesma casa ou dois peões podem capturar a mesma peça de cor oposta a notação deve indicar corretamente qual dos cavalos, torres ou peões farão o movimento, por exemplo: 1. Cbd5, 1. T1:c5, 1. e:f5 etc.).

Boa sorte!

Abaixo listamos a solução do problema da semana passada. Os números entre parênteses indicam a pontuação recebida por cada movimento encontrado e anotado pelo solucionista naquela competição.

Problema da Semana 90
Ajudado em 2, 2 soluções
Felix A. Sonnenfeld
Memorial J. B. Santiago, 1963
1° Prêmio e.a.

Solução:
1.
Cg4 Ba6 2. Bd2 Ce2# [2.5]
1. d5 Tb1 2. Cd2 Cb5# [2.5]

ISC – International Solving Contest

O xadrez é um nexo cognitivo único, um local onde arte e ciência se unem na mente humana e são então refinados e melhorados pela experiência.” – Garry Kasparov

Comecei escrevendo este post para falar do ISC 2010 porém a breve introdução sobre a competição e histórico da participação brasileira no ISC acabou crescendo além do tamanho programado. Assim a introdução virou texto principal e em outra publicação falarei especificamente dos problemas do ISC 2010!

O ISC de 2010 foi, sem sombra de dúvida, o melhor que tivemos desde que o Brasil começou a participar deste evento mundial de solucionismo em 2007, não só pelo ISC mas também pelo dia inteiro de eventos que culminou com o primeiro solving show brasileiro, vencido merecidamente por Ricardo Vilela de Belo Horizonte.

O que é o ISC ?

O ISC (International Solving Contest) foi concebido em 2004 durante o congresso da PCCC em Halkidiki, Grécia,  com o objetivo de criar uma competição mundial além do Aberto Mundial e WCSC que são realizados durante os congressos da entidade máxima de composição de problemas.

Embora o ISC não dê normas ou títulos diretamente (por exemplo, uma performance de +2650 no ISC não dá uma norma de GM) é possível ganhar rating no ISC para alcançar normas além de ter uma alternativa de baixo custo para comparar sua performance com outros solucionistas de classe mundial. O ISC se tornou uma oportunidade única para aqueles competidores e países que não tem recursos ou patrocínios para participar ao vivo do mundial de soluções que é realizado anualmente durante o congresso da PCCC/UCCI.

O ISC é composto de duas rodadas de 120 minutos, cada uma com 6 problemas que incluem um mate em dois, um mate em 3, um mate em N (mais de tres lances), um estudo, um ajudado e um inverso. Para prevenir possíveis irregularidades todos os países devem iniciar suas competições locais ao mesmo tempo, sincronizando com 11 da manhã GMT, o que significa 9 horas da manhã de Brasília. Entre as duas rodadas há um intervalo de 30 a 90 minutos a ser definido pelo controlador local.

ISC 2005

O primeiro ISC foi realizado em 23 de janeiro de 2005 sob o controle central de Ward Stoffelen e contou com a participação de 23 países e 262 solucionistas competindo em uma única categoria. Os vencedores da primeira edição foram Roland Baier (1°, 60/146), da Suíça, Kari Karhunen (2°, 60/221), da Finlândia e Michal Dragoun (3°, 60/237), da República Tcheca, todos com 100% dos pontos porém desempatados por tempo.

ISC 2006

Na segunda edição do ISC, realizada em 22 de janeiro de 2006, decidiu-se dividir a competição em duas categorias: uma para iniciantes com problemas mais fáceis porém sem valer rating, vencida por Kalman Sternik (1°, 39/155) de Israel, e a categoria principal com problemas mais difíceis e valendo rating, vencida por Alexey Lebedev (1°, 60/155) da Rússia, seguido de perto por John Nunn (2°, 59/191) da Grã-Bretanha e Arno Zude (3°, 59/195), da Alemanha. O nível dos problemas da categoria principal também aumentou na segunda edição, para diminuir o “risco” de mais de um competidor fazer 100% dos pontos. Ward Stoffelen foi, outra vez, o controlador central do evento.

ISC 2007

ISC 2007A terceira edição do ISC, em 2007, marcou a primeira participação do Brasil com Roberto Stelling (59°, 31/240), Marcos Roland (88°, 25/240) e Leonardo Mano (182°, 9/239) na primeira categoria e Antonio Gerk (1°, 40/127), Eugene Zavalin (11°, 32/240), Fernando Chagas (14°, 28,5/138), José Blanco (26°, 22/186) e Lucas dos Santos (29°, 20/188) na segunda categoria. Vale destacar, principalmente, a vitória de Antonio Cordeiro Gerk na segunda categoria. Esta foi a primeira vez que uma competição mundial de soluções foi vencida por um brasileiro! O ISC de 2007 foi vencido por Bojan Vukovic, da Sérvia (1°, 54/228), seguido de perto por John Nunn (2°, 52/240) da Grã-Bretanha e Alexey Lebedev (3°, 51/232) da Rússia. Desta vez coube ao alemão Axel Steinbrink a função de controlador central e, muito provavelmente, a responsabilidade de aumentar o nível de dificuldade dos problemas. A seção Brasil foi realizada na ALEX (Rio de Janeiro) com a organização de Leonardo Mano e coordenação central local do compositor Ricardo Vieira.

ISC 2008

A quarta edição do ISC contou com 6 brasileiros na primeira categoria: Roberto Stelling (49°, 32,5/240), Leonardo Mano (115°, 20/236), Marcos Roland (121°, 19/240), Adriano de Oliveira (156°, 13/240), José Maffei Filho (216°, 5/240) e Eugene Zavalin (216°, 5/240) e dois na segunda categoria: Pedro Paulo Queiroz (55°, 12,5/240) e Tarcísio Dantas (80°, 1/240). A primeira categoria foi vencida por Boris Tummes (1°, 55/236) da Alemanha seguido por Miodrag Mladenovic (2°, 54/215) da Sérvia e Michel Caillaud (3°, 54/233) da França. A seção Brasil, realizada nas dependências da AABB-Lagoa (Rio de Janeiro), foi organizada por Leonardo Mano e teve o AN Carlos Carvalho como o coordenador central local.

ISC 2009

ISC 2009A seção brasileira do quinto ISC, em 2009, foi realizada simultaneamente no Tijuca Tenis Clube (Rio de Janeiro) com coordenação local do compositor Ricardo Vieira e na Casa do Xadrez (Belo Horizonte) com coordenação local de Júlio Lapertosa e contou com 8 participantes na primeira categoria: Roberto Stelling (61°, 36/240), Eric Bacconi (135°, 20,5/240), Ricardo Luiz Vilela (170°, 15/240), José Eduardo Maia (204°, 11/240), José Manuel Blanco (204°, 11/240), Leo Mano (204°,11/240), Fernando Madeu (224°, 7/230) e Lucas Resende (226°, 6/205) além de 7 participantes na segunda categoria: Sergio Dias (71°, 18/210), Tales Argolo Jesus (93°, 12/213), Reinaldo Mano (94°, 12/215), Adriano C. Fernandes (96°, 11/186), Hélio Nonato de Oliveira (100°, 11/225),Mateus de Carvalho Apolinário (112°, 7/180) e Emerson Vieira Louro (131°, 0/240). A primeira categoria foi vencida por Piotr Murdzia (1°, 59/240) da Polônia, Anatoly Mukoseev (2°, 54/223) e John Nunn (3°, 52/203) da Grã-Bretanha.

Participação do Brasil nos ISCs:

1° Categoria
Ano Países Brasil Solucionistas
2005 23 0 262
2006 25 0 210
2007 25 3 197
2008 30 6 241
2009 32 8 234

A segunda categoria só começou a ser disputada em 2006, criando uma alternativa de competição para solucionistas juvenis e menos experientes.

2° Categoria
Ano Países Brasil Solucionistas
2006 16 0 43
2007 14 5 42
2008 20 2 82
2009 21 7 141

ISC 2010

ISC 2010O Controlador Central do ISC 2010, o holandes Peter Bakker, ainda não divulgou seus resultados finais da sexta edição do ISC mas já temos os resultados extra oficiais da seção Brasil. Mais uma vez a versão nacional foi realizada na ALEX com organização de Leonardo Mano, que deixou de competir para atuar também no papel de controlador local. Este ano tivemos apenas sete participantes na primeira categoria e nenhum na segunda. Os resultados extra-oficiais dos brasileiros foram: Roberto Stelling (45,25/240), José Eduardo Maia (25/236), Ricardo Vilela (13,75/240), Fernando Madeu (13/240), Eric Bacconi (11,5/240), Fernando Paulino (5/234) e José Manuel Blanco: (0/119). Por motivos pessoas José Blanco teve que sair antes da segunda rodada do ISC e não pode completar a competição. Este ano esperávamos a participação do Campeão Brasileiro de Soluções de 1995, Eduardo Gambale, e o retorno do bicampeão brasileiro e atual Campeão Brasileiro de Soluções Marcos Roland ao ISC mas o primeiro não pode participar por razões profissionais e segundo por razões pessoais. Em outra publicação falaremos dos problemas do ISC 2010!

Estudo da Semana – 32

Quando analiso um final eu busco as idéias básicas e tento entender a posição ao invés de memorizar todas as sub-variantes possíveis.” – Pal Benko

Toda quinta feira publicamos um estudo para ser apreciado e resolvido pelos nossos leitores, na quinta feira seguinte publicamos a solução do estudo da semana anterior e também um novo estudo para ser resolvido.

Hoje apresentamos um estudo de um GM húngaro, nascido na França em 14 de julho de 1928 e com residência nos Estados Unidos: o sempre original Pal Benko. Sua vida cheia de variantes e sub-variantes interessantes inclui passagens pelo Brasil e até mesmo um namoro com a brasileira Ruth Cardoso.

Benko aprendeu a jogar xadrez aos dez anos de idade porém só participou de torneios oficiais aos 16 anos obtendo resultados meteóricos que o levaram ao título húngaro aos 20 anos de idade. Com uma personalidade forte, marcante e criativa Benko também se destaca como compositor tendo publicado seu primeiro problema aos 13 anos de idade. Autor de diretos em dois, diretos em 3, ajudados e até mesmo feéricos e condicionais Benko demorou a efetivamente compor estudos com seriedade. Uma experiência frustrada de antecipação em um dos seus primeiros finais o levou a deixar de compor estudos por muitos anos, retomando a atividade mais tarde na sua carreira. Alguns dos seus estudos são muito profundos e de difícil solução. Certa vez, ao não conseguir resolver um dos estudos de Benko o duas vezes Campeão Mundial de Soluções (2004 e 2007), John Nunn perguntou desolado: “Porque você cria estes estudos tão difíceis ?”.

A seguir vemos um estudo com a marca registrada de Benko: um final prático de aparência enganadoramente simples, sutil e muito instrutivo!

Estudo da Semana – 32
Pal Benko
Magyar Sakkelet, 1981
1° Prêmio
+0310.20e8h6

Estudo da Semana 32 - Brancas jogam e ganham

Boa solução e até a semana que vem!

Estudo da Semana – 31
Pal Benko
Zaszlonk, 1944
+3111.32e4e7

Estudo da Semana anterior
Brancas jogam e ganham

Solução:

1. Te6+! (com a torre sob ataque e ameaça das pretas jogarem Da8+ a única oportunidade das brancas está em aproveitar a posição ingrata da dama preta e buscar uma sequência forçada) 1. … Rxe6 (outras alternativas perdem a dama imediatamente ou levam mate [1. ... Rf8?? 2. Cd7#]) 2. d5+ Re7 3. d6+ Re8 (o peão é intocável por causa do duplo de cavalo e 3. … Rf8 4. g6! só piora para as pretas) 4. d7+ Re7 5. d8=D+ (e o imparável peão foi de d4 a d8 ileso, agora não há como evitar capturá-lo) Dxd8 6. Cc6+ e as brancas ganham.

Problema da Semana – 90

O valor de uma peça está no seu poder de movimento, e apenas no seu poder de movimento. Não há exceções a esta regra.” – Max Euwe

Toda segunda feira publicamos uma composição para ser comentada e resolvida pelos leitores. Na segunda feira seguinte publicamos a sua solução e uma nova composição.

As composições são selecionadas entre os formatos usados nos campeonatos mundiais de solução: mates em 2, mates em 3, mates em mais de 3 movimentos, inversos, ajudados e estudos. Em boa parte dos casos selecionamos composições utilizadas em competições oficiais.

A seguir temos um ajudado em dois lances do genial Felix A. Sonnenfeld, que tirou o primeiro prêmio no Memorial João Baptista Santiago em 1963.

Ajudado em 2, 2 soluções
Felix A. Sonnenfeld
Memorial J. B. Santiago, 1963
1° Prêmio e.a.

Problema da Semana 90 - Ajudado em 2, 2 soluções

Nos campeonatos mundiais a seção de ajudados é composta por 3 problemas que devem ser resolvidos em 50 minutos. Para receber os 5 pontos correspondentes a cada problema é necessário indicar todas as soluções dos problemas até o mate branco, no caso de soluções múltiplas em ajudados é possível marcar uma fração dos pontos caso não sejam resolvidas todas as soluções.

Cada movimento deve ser indicado de forma única e inequívoca (por exemplo, quando dois cavalos ou duas torres podem ir à mesma casa ou dois peões podem capturar a mesma peça de cor oposta a notação deve indicar corretamente qual dos cavalos, torres ou peões farão o movimento, por exemplo: 1. Cbd5, 1. T1:c5, 1. e:f5 etc.).

Boa sorte!

Abaixo listamos a solução do problema da semana passada. Os números entre parênteses indicam a pontuação recebida por cada movimento encontrado e anotado pelo solucionista naquela competição.

Problema da Semana 89
Ajudado em 2, 2 soluções
Jorge Kapros, Ricardo Vieira, Jorge Lois
WCCC Quick Composing B
Rio de Janeiro, 2009
2° Prêmio

Solução:
1.
Cxe8 Bd6 2. Bf6 Ch4# [2.5]
1. Cxh7 Ch4 2. f6 Bd6# [2.5]

Suzan Polgar: Minha mente brilhante

Antes mesmo de eu chegar neste mundo meus pais haviam decidido: eu seria uma jogadora de xadrez!” – Judit Polgar

Excelente o documentário da National Geographic sobre as origens do gênio enxadrístico de Suzan Polgar e de suas irmãs.

A questão central do documentário é a natureza da genialidade de Suzan Polgar expressa no jogo de xadrez, uma atividade intelectual dominada pelo sexo masculino, e também a intencionalidade do seu gênio enxadrístico como resultado da educação independente e que as irmãs Polgar receberam de seus pais. O vídeo é muito interessante para quem não joga xadrez mas obrigatório para quem joga!

Abaixo temos as cinco partes do documentário com narração em português.

Parte 1 [Português]

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Parte 2 [Português]

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Parte 3 [Português]

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Parte 4 [Português]

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Parte 5 [Português]

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O mais difícil, segundo a própria Suzan, é a criança encontrar cedo (no caso dela aos 4 anos de idade) uma paixão a qual se dedicar, depois disto “o resto é fácil”… Simples assim.

Estudo da Semana – 31

Com a introdução de programas super poderosos um jovem pode agora ter um oponente de alto nível em casa, ao invés de precisar de um treinador profissional desde tenra idade. Países com pouca ou nenhuma tradição de xadrez e poucos técnicos disponíveis podem agora produzir prodígios.” – Garry Kasparov

Toda quinta feira publicamos um estudo para ser apreciado e resolvido pelos nossos leitores, na quinta feira seguinte publicamos a solução do estudo da semana anterior e também um novo estudo para ser resolvido.

Hoje apresentamos um estudo de um GM húngaro, nascido na França em 14 de julho de 1928 e com residência nos Estados Unidos: o sempre original Pal Benko. Sua vida cheia de variantes e sub-variantes interessantes inclui passagens pelo Brasil e até mesmo um namoro com a brasileira Ruth Cardoso.

Benko aprendeu a jogar xadrez aos dez anos de idade porém só participou de torneios oficiais aos 16 anos obtendo resultados meteóricos que o levaram ao título húngaro aos 20 anos de idade. Com uma personalidade forte, marcante e criativa Benko também se destaca como compositor tendo publicado seu primeiro problema aos 13 anos de idade. Autor de diretos em dois, diretos em 3, ajudados e até mesmo feéricos e condicionais Benko demorou a efetivamente compor estudos com seriedade. Uma experiência frustrada de antecipação em um dos seus primeiros finais o levou a deixar de compor estudos por muitos anos, retomando a atividade mais tarde na sua carreira. Alguns dos seus estudos são muito profundos e de difícil solução. Certa vez, ao não conseguir resolver um dos estudos de Benko o duas vezes Campeão Mundial de Soluções (2004 e 2007), John Nunn perguntou desolado: “Porque você cria estes estudos tão difíceis ?”.

A seguir temos o primeiro estudo publicado por Pal Benko, quando tinha apenas 16 anos!

Estudo da Semana – 31
Pal Benko
Zaszlonk, 1944
+3111.32e4e7

Estudo da Semana 31 - Brancas jogam e ganham

Boa solução e até a semana que vem!

Estudo da Semana – 30
Pal Benko
Chess Life, 1980
+0100.02b8b4

Estudo da Semana anterior
Brancas jogam e ganham

Solução:

1. Tb7+! (outras alternativas apenas empatam, a lógica por trás deste lance é que obriga o rei preto a ir para frente de um dos peões enquanto o rei branco segue em direção à coluna d. A corrida 1. Txc6 a5 é facilmente empatada porque o rei branco não tem como passar para o “outro lado” do peão de a [em corridas de torre X peão a estratégia do lado mais forte é quase sempre mais efetiva quando o rei consegue deixar o peão adversário entre ele e o rei inimigo]) 1. … Rc3 (a defesa que causa maiores dificuldades para o branco ) 2. Rc7 a5 3. Ta7! (essencial porque força o recuo do rei preto) 3. …  Rb5 4. Rd6! (outra finesse essencial porque 4. Rxc6 permite que as pretas tenham a alternativa de jogar pelo afogamento!) 4. … a4 5. Re5 a3 6. Rd4 (curiosamente Re4 ou Rf4 também ganham porque o objetivo é ter acesso a d2 no tempo certo)  Rb3 7. Rd3 Rb2 8. Rd2 a2 9. Tb7+ Ra3 (neste ponto, se as brancas tivessem jogado 4. Rxc6 as pretas jogariam simplesmente 9. … Ra1 e não haveria como evitar o empate!10. Rc2 a1=C+ 11. Rc3 e as brancas ganham.

Resultados do ISC Brasil

Já está disponível a pontuação extra-oficial que ainda será revisada pelo Controlador Central, Peter Bakker.

1) Roberto Stelling: 45.25 (240min)
2) José Eduardo Maia: 25 (236min)
3) Ricardo Vilela: 13.75 (240min)
4) Fernando Madeu: 13 (240min)
5) Eric Bacconi: 11.5 (240min)
6) Fernando Paulino: 5 (234min)
7) José Manuel Blanco: 0 (119min)

Veja também a pontuação detalhada de cada competidor. Os competidores menores de 21 anos devem informar a data de nascimento. Eventuais dúvidas ou reclamações com relação à pontuação devem ser informadas até o dia 28 de janeiro de 2010 ao Controlador Local, Leo Mano, através do email problemasdexadrez@terra.com.br

A pontuação do Stelling foi a única alterada em função de um erro básico de soma. A boa notícia é que a pontuação aumentou confirmando um ótimo resultado que nos deixa na espectativa de um ganho de rating rumo ao título de Mestre FIDE!

Aproveito para agradecer à Andrea e ao Bráulio pelos “comes e bebes”, especialmente o fabuloso bolo de chocolate oferecido pela Andrea e o inestimável projetor emprestado pelo Bráulio.

Não tenho palavras suficientes para agradecer àqueles que vieram de seus estados especialmente para a competição. Espero que os momentos de diversão e confraternização tenham sido suficientemente compensadores para tamanha dedicação e empenho.

ISC e Solving Show

Foi realizado na ALEX, Rio de Janeiro, a Seção Brasil da sexta edição do ISC (International Solving Contest). Apesar do horário ingrato, 8h da manhã, tivemos a participação de 7 solucionistas incluindo 2 de São Paulo (Roberto Stelling e Eric Bacconi) e 1 de Ipatinga (Ricardo Vilela).

Infelizmente, Eduardo Gambale (Goiânia), Campeão Brasileiro em 1995 e que havia confirmado sua participação, acabou impedido por problemas profissionais.

Marcos Roland, o atual Campeão Brasileiro, teve problemas de saúde e também não pôde comparecer (mas hospedou em sua casa a revelação de Minas Gerais, Ricardo Vilela, que havia chegado ao Rio na véspera da competição).

Os representantes do Rio de Janeiro foram: Fernando Paulino, José Blanco, Fernando Madeu e José Maia enquanto a arbitragem ficou por minha conta (Leo Mano).

A planilha com as pontuações detalhadas será divulgada até quarta-feira. Mas podemos adiantar, extra-oficialmente, que o Stelling teve a maior pontuação (44,75) seguido pelo Maia (25). O nível dos problemas estava muito alto repetindo uma tendência das últimas edições.

Eric Bacconi (SP)

Roberto Stelling (SP)

Ricardo Vilela (MG)

José Blanco (RJ)

José Maia (RJ)

Fernando Paulino (RJ)

Fernando Madeu (RJ)

Maia, Mano, Madeu, Andrea e Stelling

Após o ISC tivemos um animado Solving Show que ofereceu um troféu e um volume da coleção “Meus Grandes Predecessores” ao Campeão Ricardo Vilela. O resultado completo da competição pode ser visto aqui.

Diante da animação dos participantes que exigiam mais um torneio (e o inconformismo do Stelling em ter sido eliminado na primeira rodada), fizemos outro Solving Show que foi vencido mais uma vez pelo mineirinho Ricardo Vilela. Resultados aqui.

Mais uma vez, o Stelling foi eliminado na primeira rodada e, diante de um chororô insuportável, realizamos um terceiro torneio (desta vez combinamos em segredo que deixaríamos o Stelling ser campeão). Resultados aqui.

Brincadeirinha… Stelling, você ganhou de verdade!

Os problemas e respostas do ISC podem ser baixados aqui:
Categoria 1 Rodada 1 / Categoria 1 Rodada 2

Categoria 2 Rodada 1 / Categoria 2 Rodada 2

Veja também as fotos do evento.

Ricardo Vilela foi o Campeão do Solving Show

Mano e Sergey Patrício

Problema da Semana – 89

Infelizmente o jogo de xadrez começa com a abertura e termina com final. Por mim deveria ser ao contrário.” – Pal Benko

Toda segunda feira publicamos uma composição para ser comentada e resolvida pelos leitores. Na segunda feira seguinte publicamos a sua solução e uma nova composição.

As composições são selecionadas entre os formatos usados nos campeonatos mundiais de solução: mates em 2, mates em 3, mates em mais de 3 movimentos, inversos, ajudados e estudos. Em boa parte dos casos selecionamos composições utilizadas em competições oficiais.

A seguir temos um ajudado em dois lances da parceria argetino-brasileira entre Jorge Kapros, Ricardo Vieira e Jorge Lois que tirou o segundo prêmio no concurso de composição rápida, seção B, do WCCC 2009 no Rio de Janeiro.

Ajudado em 2, 2 soluções
Jorge Kapros, Ricardo Vieira, Jorge Lois
WCCC Quick Composing B
Rio de Janeiro, 2009
2° Prêmio

Problema da Semana 89 - Ajudado em 2, 2 soluções

Nos campeonatos mundiais a seção de ajudados é composta por 3 problemas que devem ser resolvidos em 50 minutos. Para receber os 5 pontos correspondentes a cada problema é necessário indicar todas as soluções dos problemas até o mate branco, no caso de soluções múltiplas em ajudados é possível marcar uma fração dos pontos caso não sejam resolvidas todas as soluções.

Cada movimento deve ser indicado de forma única e inequívoca (por exemplo, quando dois cavalos ou duas torres podem ir à mesma casa ou dois peões podem capturar a mesma peça de cor oposta a notação deve indicar corretamente qual dos cavalos, torres ou peões farão o movimento, por exemplo: 1. Cbd5, 1. T1:c5, 1. e:f5 etc.).

Boa sorte!

Abaixo listamos a solução do problema da semana passada. Os números entre parênteses indicam a pontuação recebida por cada movimento encontrado e anotado pelo solucionista naquela competição.

Problema da Semana 88
Mate em 2
Pal Benko
Chess Life, 1976

Solução:
1.
Cf1! [5.0] (1. e4? Rxf3 2. 0-0?? não resolve porque as brancas já perderam o direito do roque!!)

ISC e Rating

“É hora de declarar uma guerra impiedosa ao formalismo dos problemas de xadrez, assim como foi feito em outras artes¹″ – Botvinnik (Chess in USSR №3, 1936)²

(1) “Outras artes” é uma referência a um artigo do jornal Pravda que criticava a ópera “Lady Macbeth” de Dmitri Shostakovich.

(2) Depois deste artigo, os problemas de xadrez heterodoxos (ajudados, inversos e feéricos) foram banidos entre os compositores russos. Botvinnik, ainda em seu artigo, declara que a composição deve estar voltada à prática do xadrez e a fantasia não está de acordo com os “nossos” objetivos.

Rir faz bem…


Mundial por Equipes, Turquia 2010
Rodada 1: Russia x Brasil

 

Neste domingo acontecerá a sexta edição do ISC (International Solving Contest) onde centenas de solucionistas resolvem os mesmos problemas de xadrez simultaneamente em vários países em suas respectivas cidades.

A seção Brasileira acontecerá no Rio de Janeiro, às 8h da manhã. O horário é ingrato mas o sincronismo é uma das exigências da prova.

O grande atrativo desta competição é o fato de valer rating FIDE de solucionismo. Desta forma, paises distantes do centro europeu, como é o nosso caso, podem medir forças sem a necessidade das longas e proibitivas viagens.

Com o custo reduzido tremendamente, traçamos como objetivo a formação do Ranking Brasileiro que já conta com 6 competidores:

Roberto Stelling, 2314
Marcos Roland, 2184
Jose Eduardo Maia, 1790
Eric Bacconi Goncalves, 1786
Ricardo Luiz Vilela de Castro, 1765
Leo Mano, 1728

Além destes, temos outros 7 solucionistas com rating provisório (aqueles que participaram em um único torneio oficial e precisam de um segundo torneio para obter o rating definitivo).

Adriano de Oliveira, 1885
Jose Maffei Filho, 1709
Eugene A Zavalin, 1709
Braulio dos Santos Jr, 1694
Jose Eduardo Blanco Pereira, 1680
Fernando Madeu, 1600
Lucas Resende Leus, 1600

Destes com rating provisório, apenas 3 confirmaram participação no ISC e, consequentemente, sairão com rating definitivo. Assim, esperamos ter 9 rankeados a partir da próxima semana.

Estes números são importantes no sentido de conquistar a possibilidade de realizar-mos nossos próprios torneios valendo rating FIDE. Para isso precisamos reunir 10 rankeados de, pelo menos, dois países diferentes (conforme resolução do Comitê da FIDE).

Assim sendo, com 9 rankeados estaremos alcançando nosso objetivo e, agora, precisamos de mais um rankeado internacional para que torneios realizados aqui também possam valer rating FIDE.

Ambas as bandeiras precisam pertencer aos quadros do Comitê da FIDE. Atualmente, o Comitê da FIDE para o Problemismo conta com 39 membros: Austria, Azerbaijan, Belarus, Belgium, Bosnia-Hercegowina, Brazil, Bulgaria, Croatia, Czechia, Denmark, Estonia, Germany, Finland, France, Great Britain, Georgia, Greece, Hungary, Israel, Italy, Japan, Kazakhstan, Latvia, Lithuania, Macedonia, Moldova, Mongolia, Netherlands, Poland, Romania, Russian Federation, Serbia & Montenegro, Slovakia, Slovenia, Spain, Sweden, Switzerland, Ukraine, USA.

Como vemos, não há sulamericanos na lista (exceto o próprio Brasil). Se a argentina não demonstrar interesse em participar, teremos de importar um gringo de bandas mais distantes ou tentar mudar tal resolução do Comitê. Minha sugestão é de que os campeonatos nacionais (limitados a 1 por ano) dispensem a necessidade de uma segunda bandeira.

Desta forma, poderemos ter 2 torneios por ano valendo rating, o que permitirá que mais e mais solucionistas entrem no ranking nacional.

Boa sorte a todos que irão participar no ISC! Não esqueçam de levar caneta.