“Com a introdução de programas super poderosos um jovem pode agora ter um oponente de alto nível em casa, ao invés de precisar de um treinador profissional desde tenra idade. Países com pouca ou nenhuma tradição de xadrez e poucos técnicos disponíveis podem agora produzir prodígios.” – Garry Kasparov
Toda quinta feira publicamos um estudo para ser apreciado e resolvido pelos nossos leitores, na quinta feira seguinte publicamos a solução do estudo da semana anterior e também um novo estudo para ser resolvido.
Hoje apresentamos um estudo de um GM húngaro, nascido na França em 14 de julho de 1928 e com residência nos Estados Unidos: o sempre original Pal Benko. Sua vida cheia de variantes e sub-variantes interessantes inclui passagens pelo Brasil e até mesmo um namoro com a brasileira Ruth Cardoso.
Benko aprendeu a jogar xadrez aos dez anos de idade porém só participou de torneios oficiais aos 16 anos obtendo resultados meteóricos que o levaram ao título húngaro aos 20 anos de idade. Com uma personalidade forte, marcante e criativa Benko também se destaca como compositor tendo publicado seu primeiro problema aos 13 anos de idade. Autor de diretos em dois, diretos em 3, ajudados e até mesmo feéricos e condicionais Benko demorou a efetivamente compor estudos com seriedade. Uma experiência frustrada de antecipação em um dos seus primeiros finais o levou a deixar de compor estudos por muitos anos, retomando a atividade mais tarde na sua carreira. Alguns dos seus estudos são muito profundos e de difícil solução. Certa vez, ao não conseguir resolver um dos estudos de Benko o duas vezes Campeão Mundial de Soluções (2004 e 2007), John Nunn perguntou desolado: “Porque você cria estes estudos tão difíceis ?”.
A seguir temos o primeiro estudo publicado por Pal Benko, quando tinha apenas 16 anos!
Estudo da Semana – 31
Pal Benko
Zaszlonk, 1944
+3111.32e4e7
Boa solução e até a semana que vem!
Estudo da Semana – 30
Pal Benko
Chess Life, 1980
+0100.02b8b4

Brancas jogam e ganham
Solução:
1. Tb7+! (outras alternativas apenas empatam, a lógica por trás deste lance é que obriga o rei preto a ir para frente de um dos peões enquanto o rei branco segue em direção à coluna d. A corrida 1. Txc6 a5 é facilmente empatada porque o rei branco não tem como passar para o “outro lado” do peão de a [em corridas de torre X peão a estratégia do lado mais forte é quase sempre mais efetiva quando o rei consegue deixar o peão adversário entre ele e o rei inimigo]) 1. … Rc3 (a defesa que causa maiores dificuldades para o branco ) 2. Rc7 a5 3. Ta7! (essencial porque força o recuo do rei preto) 3. … Rb5 4. Rd6! (outra finesse essencial porque 4. Rxc6 permite que as pretas tenham a alternativa de jogar pelo afogamento!) 4. … a4 5. Re5 a3 6. Rd4 (curiosamente Re4 ou Rf4 também ganham porque o objetivo é ter acesso a d2 no tempo certo) Rb3 7. Rd3 Rb2 8. Rd2 a2 9. Tb7+ Ra3 (neste ponto, se as brancas tivessem jogado 4. Rxc6 as pretas jogariam simplesmente 9. … Ra1 e não haveria como evitar o empate!) 10. Rc2 a1=C+ 11. Rc3 e as brancas ganham.



